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Por Rodrigo Guerra

Durante muitos anos Portugal foi o país mais inovador do mundo. Isso mesmo, nem China, nem Coreia, muito menos Estados Unidos ou Japão… Portugal já foi o baluarte da inovação tecnológica mundial.

Não estamos falando dos dias de hoje. Esta realidade se tornou arrebatadoramente verdadeira entre os séculos XIV ao XVI. Seu auge pode ser apontado a partir da segunda metade do século XV, onde Lisboa passou a ser o centro das grandes navegações. Um porto marítimo e mercantil de dimensão internacional. Que transformou Portugal no país dos melhores, mais audazes e experientes marinheiros, com os maiores conhecimentos náuticos da época.

Se hoje os ícones da inovação flutuam em torno de nomes como Jobs, Gates e Zuckerberg, na época este ícone tinha um só rosto: Infante D. Henrique, conhecido como o navegador!

Para estudiosos mais recentes, ele foi o precursor da globalização. O Infante foi o pioneiro e maior impulsionador das grandes navegações, estabelecendo uma escola cercada de mistérios: a famosa e enigmática Escola de Sagres.

A escola náutica foi fundada na simplória cidadezinha de Sagres, onde existe uma fortaleza construída na ponta deste braço de terra, localizado no extremo sudoeste da Europa. Chamado de Sacrum Promontório de Sagres ou Cabo de São Vicente. Representava um porto de abrigo desde a antiguidade, quando passou a ser chamado de Finisterra, em textos gregos e latinos (traduzido como o “fim da Terra”), e ponto de referencia da marcante expansão marítima da Era das Descobertas. Sabidamente, nos dias de hoje, extremo europeu mais próximo ao Brasil.

Até então a cidade de Sagres era um local totalmente esquecido pelo seu pai, D João I (1357-1433), então rei de Portugal. Um local inóspito, de vegetação rasteira e rústica, sem aparente interesse econômico. Entretanto, ao olhar diferenciado de D. Henrique, se tratara de um santuário para as embarcações da época. E provável ponto de partida para desbravar novos mundos, segundo sua mente visionária.

As falésias, ao pé do mar, circundam um braço de pedra com cerca de 1 km de comprimento e 300 metros de largura, podendo chegar a 30 “braças” de altura (João Cascão, 1573). O que equivaleria a 50 metros a pique do nível do mar. Estrutura natural que protegia as embarcações do encontro de diversas correntes marítimas que ali se encontravam, fazendo jus ao nome de santuário.

“Para além de seu significado místico, a situação do extremo Barlavento algarvio teve implicações geoestratégicas. A sua abertura ao Magrebe e a sua posição privilegiada entre o Mediterrâneo e o Norte da Europa, conferiram a esta região suma importância geoestratégica no controle do tráfego marítimo”. Trecho do livro: Sagres do Mar e do Tempo. Ministério da Cultura da região do Algarve

Na escola, que muitos creem não ter existido, pelo menos não fisicamente, acredita-se que muitas tecnologias náuticas foram desenvolvidas ou aprimoradas. Hoje, a teoria mais aceita é a de que a Escola Náutica era na verdade uma confraria. Algo mais parecido como eventos fechados e bem seletos. Organizados e patrocinados pelo Infante D. Henrique, que era capaz de congregar periodicamente grandes conhecedores de navegação da época, deixando-a como um legado, mesmo após sua morte (13 de novembro de 1460).

Reuniões, estas, que não necessariamente eram realizadas em Sagres, mas que levava sempre seu codinome. Mais recentemente (1921), pôde ser encontrado, ou melhor, desenterrado, um símbolo atribuído à escola, a “Rosa-dos-Ventos”, desenhada no meio da fortaleza de Sagres. Figura enigmática, pois desconhecemos seu uso exato, que pode ter sido um labirinto ou, mais provavelmente, empregada como um gigantesco relógio de sol. Mas que certamente representa o principal emblema ainda preservado deste movimento instituído pelo infante.

Neste movimento, muitas técnicas inovadoras foram desenvolvidas ou aprimoradas, tais como: o astrolábio (provavelmente oriundo de Alexandria e da Grécia), o nocturlabio, as caravelas, cartas náuticas, as bússolas (oriundas da china) e muitos outros instrumentos de guerra. Uma vez que o Infante era responsável (a partir de 1416) por garantir a defesa do estreito de Gibraltar e das rotas caravaneiras, que por ali transportavam as riquezas trazidas do sul. Estas tecnologias náuticas e bélicas tornaram Portugal o país desbravador do mundo.

Apenas como exemplo da força desta escola, supõe-se que Colombo (1452-1516), mesmo sendo primordialmente financiado por reis espanhóis (após recusa do financiamento pelo rei de Portugal D. João II) e teoricamente nascido em Gênova na Itália, tenha passado anos em Portugal, aprimorando suas técnicas, até então empíricas, de navegação na Escola de Sagres. Dando-lhe maiores condições de se aventurar em busca da América do Norte. Feito realizado por ele em 12 de outubro de 1492. Mas com muita polêmica em torno de seu pioneirismo, pois existem relatos de outros navegadores que se lançaram anteriormente na mesma busca. E a partir de então muitos outros vieram.

O que a escola não ensinava, porém, era como se ter audácia e bravura. Contudo, certamente ela atraía, aos montes, desbravadores com estas qualidades na época. Creio eu, que não deve ter havido outro momento na história da humanidade em que o H. sapiens tenha se aventurado tão destemidamente em busca de novos mundos. Algo que poderia ser comparável às atuais iniciativas de povoamento de Marte.

Esses homens não tinham ao seu lado nem a fome, nem a necessidade de fuga, nem mesmo a mais divina ignorância para lhes auxiliar na decisão de partir em busca de novos mundos, pela imensidão marinha. Os reais pioneiros acreditavam, ou mesmo, sabiam, que estavam literalmente se lançando para a morte.

Tente por um momento se colocar no lugar de um navegador desta época. Ele continha, atrás de si, todo o solo firme do continente europeu, com cidades, família, riquezas e um relativo conforto, ou pelo menos a expectativa de alguns anos de vida. A sua frente à vista de um azul sem fim. Visto do alto do promontório, se assemelha a uma figura divina. Um Deus. Seja da fé cristã ou mesmo das mais primitivas, que o endeusavam o mar da mesma maneira que o Sol, os ventos ou os trovões. Sentimento característico da oposição típica entre as culturas humanísticas e religiosas do Renascimento.

Das cavernas, no sopé das falésias, as ondas impiedosas batiam, e batem até hoje, ecoando sons amedrontadores, que certamente não ajudavam na tomada de decisão. Em resumo, de um lado, as reconfortantes praias com tonalidades verde esmeralda ao azul turquesa. E, à frente, as profundezas do azul marinho delimitado pela o azul celeste, da linha do horizonte, de igual ou maior enigma e desconhecimento.

Sim… Finisterra. Estava ali em sua frente o fim do mundo e por consequência o fim da vida. Ninguém, até então, tinha tido a coragem de flutuar por semanas na direção oeste. O que dirá 61 dias, conforme Almirante Colombo o fez até atingir as Bahamas, navegando ao bel prazer de correntes marítimas e comandado apenas pela força dos remos ou de “motores eólicos” das suas duas naus: Santa Maria e Niña. Cada hora de navegação, além do último que voltou para contar a história, era a certeza de que seu retorno seria cada vez mais improvável.

Calcule, então, o que seria a proposta de não mais circundar a costa, mas sim, de se passar meses navegando sem desvios, sempre na direção justamente oposta a de casa. Se aventurando no Atlântico aberto em embarcações recém-aprimoradas, chamadas de barinéis (2 mastros), caravelas (3 mastros) ou as mais sofisticadas, naus, que continham além de três mastros, lemes.

Estariam deslizando pela primeira vez em linha reta, distanciando-se cada vez mais do mediterrâneo, rumo à provável depressão da “Terra plana”. Ou, caso o Infante estivesse correto, navegando ao encontro de um novo mundo. Um lugar onde a utópica e sonhada “idade do ouro” (da mitologia grega) ainda existiria. Um local semelhante ao paraíso bíblico de Adão e Eva: puro e imortal, sem posses ou propriedades e fartura completa.

Apesar de ser um ideal superatrativo, não podemos esquecer que também acreditavam piamente que por debaixo de seus pés, ou abaixo do convés, habitavam criaturas aterrorizantes, como: polvos gigantes e serpentes marinhas, que seriam capazes de abraçar uma nau, circundando-a inúmeras vezes, afogando todos que ali estivessem. Sem falar nos Deuses poderosos do mar. Muitos acreditavam que o próprio Poseidon iria literalmente empurrá-los para o infinito, ao visualizarem o fim da “Terra Plana”.

Bravura sem tamanho, que permitiu com que escrevessem uma nova parte de nossa história. O que nos faz compreender melhor a frase do general Romano Pompeu (século I a. C) e imortalizada por poetas geniais, como Petrarca (século XIV) e Fernando Pessoa (século XX): “Navegar é preciso… viver não é preciso”.

Mas, por que ilustrar tão pormenorizadamente este cenário? Porque toda esta aparente insanidade nos tem muito a ensinar, mesmo nos dias de hoje. Estes desbravadores apresentavam características que vemos como imprescindíveis no mundo da inovação tecnológica: a coragem e o empreendedorismo.

A política expansionista de Portugal era pedra fundamental do que hoje podemos chamar de empreendedorismo global. Os reis eram capazes de formatar riquíssimas expedições, formadas por dezenas de “loucos” e sonhadores, intelectualizados ou não, que acreditavam nos poucos indícios de terra firme, do outro lado daquela imensidão azul.

Podemos assim dizer que se apoiavam em um “quê” de fé e num “punhado” de ciência. Circundados talvez pela expectativa de fama e garantia de riquezas, em caso de improvável de retorno.

Você vê alguma semelhança com que nos deparamos no momento de abrirmos empresas inovadoras? Não falo de franquias e filiais de grandes empresas, que já vêm com uma “receita de bolo” pronta ou quase pronta. Refiro-me, primordialmente, das empresas de base tecnológica, que desenvolvem e comercializam produtos ou processos até então desconhecidos. Dúvidas, riscos e incertezas são as palavras que cercam este tipo de iniciativa. Acreditar em si é imprescindível.

Ninguém mais, além dos próprios navegadores daquela época, acreditava no que teria depois do alto mar. Eram antes de tudo visionários. E é exatamente o que devemos ser como fundadores de uma empresa inovadora.

Nomes como Américo Vespúcio, Colombo, Vasco da Gama, Cabral entre outros, e até mesmo grandes pensadores da época (acredita-se que Leonardo da Vinci orientou Américo Vespúcio a ir em busca das Américas), se juntavam em “Sagres” para diminuir um pouco da sua ignorância em torno do desconhecido. Não assumiam o risco às cegas. Aprenderam a ler melhor as estrelas e até a medir as horas por meio delas. Seja durante o dia, com astrolábios, seja à noite, com nocturlabios. Instrumentos que incrivelmente possuíam erro de cerca de míseros 15 minutos.

Estes empreendedores do mar enxergavam muito além de seus olhos. Suas mentes determinadas viam além do que qualquer tecnologia da época seria capaz de alcançar. Criando um paralelo, por mais diferente que possa parecer, as técnicas que um empreendedor atual possui são muito superiores. O astrolábio não era um GPS. Nunca seria capaz de ajudar estes navegadores como planos e modelo de negócios, por exemplo, são capazes de nos ajudar atualmente.

Não há dúvidas de que nossos riscos são bem mais controlados do que na época das expansões marítimas. Computadores processam dados em quantidades descomunais, que reduzem nossos erros. Erros que, via de regra, não custam as nossas próprias vidas. Talvez só acabem com as “vidas” de pessoas jurídicas. E o único “animal” que temos que enfrentar é o leão da receita.

No nosso mundo cada vez mais virtual, os mares a serem ultrapassados são os da nova revolução industrial, chamada atualmente de indústria 4.0. O que resumidamente engloba a internet das coisas (IoT), blockchain, inteligência artificial, bigdata, entre outros.

Estamos certamente passando por um momento de transição. E precisamos entender isso. Os pais atuais sofrem para retirar seus filhos da frente de computadores, jogos eletrônicos e celulares.

Baseados em seu paradigma (da geração anterior), ponderam sobre os riscos desta imersão tecnológica descontrolada de suas proles. Pensam ser um perigo hoje e ao seu amanhã. Porém, podemos estar apenas vendo, mais uma vez, a história da tecnologia ditando seu próprio futuro, sem que possamos controlá-la.

Se fizermos um trabalho de criação de cenários futuros, não há como se cegar ao fato de que este será o perfil da sociedade em poucos anos. Uma sociedade com relacionamentos mais virtuais do que presenciais.

Numa visão mais pragmática, o que será do futuro de uma criança que fora proibida de usar os aparatos eletrônicos desde cedo, quando se ver cercada de profissionais que se acostumaram com celulares e Tablets desde sua primeira infância?

A evolução tecnológica tem seu próprio desenvolvimento. Totalmente independente das nossas barreiras paradigmáticas. A imersão desenfreada pode, sim, ser um risco à saúde, mas também poderá ser justamente o diferencial profissional e social de seu filho em um futuro próximo.

O mundo pede por inovação constante e cada vez mais acelerada. Não há como nos mantermos no topo vivendo do sucesso anterior. Inovar é preciso. Cada vez mais.

Talvez a falta de uma manutenção de mentes inovadoras em Portugal, como a do infante, tenha feito o país perder a hegemonia tecnológica após as grandes navegações. Como pôde ser tão facilmente destronado? De lá pra cá, nunca mais Portugal foi o responsável principal do mundo em suprir a nossa insaciável e, talvez, estúpida sede de inovação.

Temos que saber olhar sempre além da imensidão azul. Estamos vivendo ao lado de uma inteligência que se diz igual à humana. Mas sabemos que não é verdade. Ela pode até ter sido inspirada nas nossas redes neurais e até pode se demonstrar melhor que a nossa em alguns pontos. Entretanto, a inteligência artificial nunca substituirá por completo o ser humano. Sempre haverá espaço para inovadores e desbravadores como o Infante D. Henrique e seus navegadores.

Lembre-se, o ser humano é a única espécie que se coloca deliberadamente em risco de vida. Seja numa escalada em montanhas, em um salto de paraquedas ou mesmo se voluntariando para uma grande guerra. Nenhuma máquina será capaz de imitar ou substituir os instintos humanos.

Como podemos avaliar se uma parceria proporciona ganhos para os dois lados e evitar desgaste desnecessário? Nós vemos frequentemente pequenos empreendedores realizarem parcerias para viabilizar ideias, somar forças, ter acesso a algo que necessitam ou para ampliar o público. A parceria é uma estratégia maravilhosa de crescimento, que nós também adoramos fazer aqui na Oca, mas temos observado que pode se tornar um grande ladrão de tempo ou de recursos, se não for bem avaliado.

A forma mais comum de parceria é a permuta. Você busca algo que outra pessoa tem pra oferecer e, ao mesmo tempo, você faz algo que essa pessoa deseja. Pra que não seja uma roubada, nem pra você e nem pro parceiro, separamos 6 dicas pra você refletir antes do aperto de mãos:

  1. O que o outro oferece é algo que você realmente precisa no momento? Lembre-se que a troca irá te exigir tempo e, consequentemente, dinheiro. Trocar o seu serviço por algo que você até acha legal, mas não precisa tanto assim, pode ser um grande ladrão dos seus recursos
  2. Quanto do seu tempo deverá ser investido nesta troca? Isso pode comprometer o seu trabalho com clientes pagantes? O tempo que você se dedica trabalhando numa parceria é tempo que você poderia prospectar ou melhorar o seu atendimento, processo, produto. Precisa trazer algum resultado.  
  3. O que você está oferecendo é realmente vantajoso ao outro ou exigirá um empenho extra pra ele? Pra quem oferece pode parecer imensamente vantajoso, mas nem sempre é. Avalie, com clareza e honestidade, o que está por trás das suas intenções, além de conseguir algo “de graça”.
  4. Se a permuta incluir a exposição da sua marca nos canais do parceiro: verifique quantidade de seguidores, curtidas nas postagens, comentários em postagens, acessos no site etc. Existe mesmo uma audiência construída que vai somar à sua? Será investido algo em anúncios patrocinados? E, claro, verifique se a mensagem que ele transmite está alinhada com os seus valores.
  5. Lembre-se sempre que cada um está na sua batalha. Cabe a você cuidar dos seus limites na parceria, avaliando se deve ou não aceitar uma proposta, e cabe a você ter a consciência de propor algo que seja de fato vantajoso a ambos. Cada um tem seus sonhos e seus objetivos ninguém é obrigado a seguir os seus. A soma precisa ser real.
  6. Encontre uma forma de medir o resultado. Número de vendas, número de cadastros, número de acessos, quantidade de orçamentos. Se o objetivo não é número tudo bem. De repente você vai aprender muito com a parceria, então relaxe e compre um caderno pra anotar insights!  

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