Mãe, o que eu posso fazer agora?

“Mãe, o que eu posso fazer agora?”

Eu sei que com essa questão ele tem a intenção de conseguir uma autorização para navegar horas sem limites por vídeos nada proveitosos no youtube. Mas a pergunta me incomoda. Será mesmo que ele precisa estar o tempo todo fazendo algo?

Entreter, de acordo com o dicionário, é prender, desviar a atenção, se distrair. Exatamente o oposto do movimento mundial que nós, adultos, corremos atrás: a busca pelo estado de presença e atenção plena. Curioso, não é?

Entretidas, as crianças estão perdendo a capacidade de nada fazer ou de inventar o que fazer, com seus próprios recursos, interesses e desejos no momento presente. Cheios de atividades programadas vivem no futuro. Mas e o agora?

“Não tem nada programado para fazer, o que você quer fazer agora, neste momento?”

Não é a toa que ele trava quando escuta que pode fazer o que quiser (com exceção do uso do celular.)

E me parece que a culpa que nós pais carregamos pela falta de tempo junto com as crianças tem contribuído para isso. Como se, por não estarmos tempo suficiente juntos, precisássemos proporcionar experiências incríveis, viagens maravilhosas, férias inesquecíveis em todo o pouco tempo presente com eles.

Eu sinto que, se as crianças são ouvidas e podem participar desse processo, planejar atividades e passeios pode ser delicioso. Mas o planejamento em excesso tira um elemento super interessante da vida: o elemento surpresa. O que reserva um dia em que você não planejou nada para fazer? Pensar nisso te anima ou te aflige?

Da hora de acordar ao momento de dormir, como seria fazer aquilo que desperta na imaginação, seguindo um fluxo de ideias encadeadas, uma puxando a outra, dando espaço para o acaso? Mesmo que as ideias não brotem, como seria esperar por elas numa conversa tranquila jogada no sofá de pijama com as crianças?

Me parece mais ou menos como desenhar numa folha em branco sem ter outro desenho para copiar ou servir de inspiração. Os primeiros minutos com o lápis na mão soam estranho, mas a partir do primeiro traço surge outro, e mais outro e outro, que juntos compõem o todo, seja ele uma obra de arte ou um rabisco sem sentido, não importa.

O ócio, o nada fazer, por mais estranho pareça, também promove muitas conexões neurais que não surgiriam com mentes e corpos ocupados demais. Descobrir é um dos significados da palavra inventar, você sabia?

Uma nota Oca:

Vamos na contramão do que se propõe quando o assunto é férias. Já oferecemos e continuamos oferecendo atividades dirigidas com pessoas incríveis. Mas do acaso nós gostamos muito. Nosso quintal tem a Julia, mas os protagonistas são de verdade as crianças. Eles realmente tem espaço para inventar, sem um adulto controlando tempo e dizendo o que e como devem fazer. O que surge dessa interação entre eles é descoberta, cheio de elementos surpresas.

Você compreende a importância? Vê o ganho?

Nosso meninário funciona normalmente aqui na Oca Urbana no mês de dezembro, até dia 21. E além dele teremos as férias na fazenda, de 17 a 21 de dezembro, à 5 min da rodovia D. Pedro. Para saber mais clique aqui.