Você está pronto pra viver em comunidade?

Dentro do transporte público a mãe, com mochilas e sacolas na mão, se contorce para passar pela roleta enquanto a criança em seu colo chora de cansaço. Um homem que ocupa o mesmo ônibus se levanta e se oferece para acalmar o pequeno enquanto a mãe passa a roleta e descansa um pouco, sentada com a cabeça encostada no vidro.

Num espaço holístico, em meio a natureza, voluntários e residentes se revezam com as tarefas. Um lava a louça, outro colhe os vegetais, outro cuida dos banheiros e do jardim. Todos são necessários para que tudo funcione. E cada pessoa que ali está, fazendo cursos e retiros também participa cuidando do seu próprio espaço e lavando a própria louça.

Cenas da vida real, e não de um mundo utópico. Em comum, a confiança no outro e o desejo de colaborar.

Assim deveria ser dentro das nossas próprias casas. Um cuidado mútuo e contínuo do espaço, do outro e de si mesmo.

Para acontecer é preciso acreditar e de fato agir.

Refletindo sobre vida em comunidade e sobre como temos visto a Tribo Oca se formar, nos deparamos com esse texto da Clarissa Pinkola Estés, autora do livro Mulheres que correm com os lobos.

Desfrute!

 

O QUE EU SEI NA MEDULA DOS MEUS OSSOS
Clarissa Pinkola Estés

Não é nossa missão consertar o mundo inteiro de uma vez,
mas nos esforçarmos para reparar a parte do mundo
que está ao nosso alcance.

Qualquer coisa, mesmo sutil ou pequena,
que uma alma possa fazer para ajudar outra alma,
dando assistência a alguma parte deste pobre mundo sofrido,
ajudará imensamente.

O que é necessário para uma mudança dramática
é o acúmulo de ações.
Mais, mais, e mais….continuamente…
Sabemos que não são necessárias todas as pessoas da Terra
para trazer justiça e paz,
Mas apenas um pequeno e determinado grupo
que não desistirá durante a primeira, a segunda ou a centésima tempestade.

Uma das ações mais pacíficas e poderosas para intervir
num mundo tempestuoso é ficar firme e mostrar sua alma.
A alma brilha como ouro em tempos escuros.
A luz da alma atira centelhas, envia labaredas,
manda sinais de fogo e incendeia as outras.

Mostrar a lanterna da alma em tempos sombrios como estes
Ser ao mesmo tempo implacável e misericordiosa,
Ambos são atos de imensa bravura e enorme necessidade.

As almas que lutam recebem luz de outras almas
que estão completamente acesas e dispostas a iluminar o caminho.
Se você conseguir apenas acalmar um tumulto (externo ou interno),
já será uma das coisas mais poderosas que poderá fazer.

Sempre há momentos em que nos sentimos desencorajadas.
Eu também sinto desespero muitas vezes em minha vida,
mas não lhe ofereço um assento; eu não o entretenho,
Não permito que coma do meu prato.

A razão é simples.
Na medula dos meus ossos eu sei algo que você também sabe:
Que não pode haver desespero quando
você se lembra por que veio para a Terra,
a Quem você serve e Quem te mandou para cá.

As boas palavras que dizemos
E as boas ações que realizamos não são nossas.
Elas são as palavras e as ações Daquela que nos trouxe aqui.